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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mais um retalho de vida itinerante

Apetece-me escrever um pouco aqui. Já não me angustia pensar que o blog poderá ser mais um projecto começado sem continuação. Prefiro pensar que vai ter retalhos da minha vida, quando me apetecer ir deixando mais um, mesmo sem terem de ser muito importantes.
O retalho de hoje começou cedinho com muito sono por estar em plena semana de itinerância pelo país a fazer reuniões com os pacientes colaboradores do estudo nacional do doutoramento que anda encalhado há 2 anos por papéis, autorizações que não chegam, filhos que nascem pelo meio, coisas para fazer na ordem dos médicos, coisas para fazer na usf que coordeno... Mas que agora vai mesmo arrancar em força e pelo país fora:) 
E acordar o miúdo que não foi tão difícil como habitual porque a miúda acordou também e fez o serviço por mim em jeito de "festinhas" ao mano para acordar. E depois seguiu-se o ritual matinal e o "cócó-banana" que já sabe fazer no bacio (finalmente à primeira e sem pedir 1000 vezes para fazer antes de conseguir) que generosa!! E veementemente decidiu que queria ir mostrar ao pai, quando o foi acordar! Que bom foi acordar hoje lá em casa;)
E a USF que lá estava no mesmo sítio, com falhas no sistema, diabéticos aos molhos, visita da doente-do-costume-mais-conhecida-por-lá que insiste mais uma vez que precisa de uma transfusão e ninguém lha dá e sai de lá convencida a não ir a urgência que para a semana temos um soro para ela.. E implantes para tirar e pôr e consultas de pessoas saudáveis que não me pedem coisas que não precisam, que é raro mas admiro, e ainda aquela adolescente que combinou por e-mail vir na hora de almoço falar comigo sobre ansiedade e como lidar com a mãe deprimida... (Que está a ler agora um livro que recomendei para ajudar a perceber-se melhor e perceber como se relativizar melhor para ser mais feliz - personalidade tipo 1 para os "Eneagramistas")
Uma manhã-prolongada em cheio!:) adoro o que faço...:)
Depois foi partir para Évora para reunir com mais uns fantásticos colaboradores no estudo que voluntariamente deram e vão dar do seu tempo para colaborar no estudo de investigação que faz parte do meu doutoramento. Mais entusiasmo, duvidas, sugestões, cafezinhos e adeus Évora que vou de volta, ler no caminho numa pausa mais um pouco sobre acessibilidade na saúde em Portugal para falar no Sábado numa mesa redonda cheia de VIPs da saúde sem fazer má figura... E ir buscar a pikena a casa dos avós que o pequeno dorme em casa dos outros que o pai hoje está a "tabalhar no ho-pi-tal". E amanhã rumar ao Porto para reunião da Ordem todo o dia e à noite Guimarães para conhecer mais uns colaboradores.. 
Non-stop m7+

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Médica, de Mais e de Menos

Estes dias tenho sido mais médica, a avaliar pelas 15h de trabalho ontem e 13h hoje (e mais o que me espera nos próximos dias)...
Este papel o que tem de mais difícil são as doses de paciência que têm de se tomar ao pequeno almoço. Paciência para estar sempre com um sorriso quando se chama alguém que vem cheio de medo e expectativas e que preparou muito bem o discurso, a listinha e até a toilette e que quer aproveitar ao máximo os minutos que parecem sempre poucos comparados com os que parecem sempre muitos em que esteve à espera. E paciência para ouvir cada pessoa como se fosse a única, a primeira e a última, para que sinta que a compreendemos profundamente e que fazemos tudo o que podemos por ela. Porque ser médico, acima de tudo o que se possa ou não saber, é fazer tudo o que se pode por alguém e, para mim, isso distingue os Bons Médicos dos Maus Médicos. O difícil, para mim, é gerir isso no tempo que temos para cada um dos nossos doentes e, mais ainda, no tempo que temos para nós e para a nossa vida.
Vinha hoje no caminho a pensar nisto mesmo: dar prioridade à minha saúde mental ou à dos meus doentes? (e conclui que acho mais útil a minha estar saudável, para poder cuidar da deles)
E chegou a hora de voltar à papelada, que me consome mais paciência que os mais derretedores de paciência "acho-que-é-melhor-ir-embora-que-está-muita-gente-lá-fora-mas-já-agora-podia-medir-me-a-tensão-outra-vez?" ou "pela-milésima-vez-venho-queixar-me-deste-formigueiro-que-me-vai-por-aqui-depois-aqui-e-me-precorre-o-corpo-todo-não-há-nenhum-exame-melhor-para-isto?".
As malditas análises para passar para o computador esperam-me (anda uma mãe a criar um filho para isto!).

Oh papelada, o que uma médica sofre...

(que quando chegar a casa não me posso esquecer de investigar a história de um músico que anda sem forças na mão e ver o que posso fazer por ele)